'Essa história vai ficar colada o resto da vida em mim', diz mãe de Joanna

'Essa história vai ficar colada o resto da vida em mim', diz mãe de Joanna
Cristiane afirmou que chorou quando soube da prisão do pai de Joanna.
André Rodrigues Marins foi preso na última segunda (25)
Mãe de JoannaA Mãe de Joanna esteve no Mais Você nesta
terça (26) (Foto: Reprodução TV Globo)

A mãe de Joanna Cardoso Marcenal Marins, Cristiane Marcenal, afirmou, na manhã desta terça-feira (26), durante entrevista ao programa Mais Você, que ficou muito emocionada quando recebeu a notícia de que o pai de sua filha havia sido preso. “Quando recebi a notícia da prisão eu chorei muito. Não queria que nada disso tivesse acontecido. Essa história de filha torturada e morta vai ficar colada o resto da vida em mim”, disse.

O pai da menina, o técnico judiciário André Rodrigues Marins, foi preso na tarde de segunda-feira (25) no Tribunal de Justiça do Rio, onde ele trabalha. O Ministério Público do Rio tinha feito o pedido de prisão preventiva dele e da madrasta de Joanna, Vanessa Maia, pelos crimes de tortura com dolo direto e homicídio qualificado por meio cruel. A prisão de André foi decretada pelo juiz Guilherme Schilling, do 3º Tribunal do Júri. Eles negam o crime.

Durante a entrevista, Cristiane disse que é um alívio ver que a Justiça foi feita. “Ontem falei com meu marido que toda a sociedade do Rio vai dormir com a sensação de que existe Justiça neste estado. MP e DCav fizeram o que tinha que ser feito. O prédio que tem no Centro não está só para enfeitar, ele existe para fazer Justiça”, disse Cristiane.

A mãe de Joanna estava acompanhada do marido, que se emocionou muito durante a entrevista. “O que eu queria é que alguém me desse a notícia que minha filha voltou, mas esta notícia não vou ter nunca”, disse ela.

MP condena atuação de madrasta
Joanna morreu após ficar em comaJoanna morreu em agosto, após ficar quase 1 mês
em coma (Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo)

A promotora Ana Lúcia Melo afirmou, na tarde de segunda-feira (25), que a madrasta de Joanna teve uma atuação tão grave na morte da menina quanto a do pai dela. A menina morreu no dia 13 de agosto.

“A Vanessa, por todo tempo, ela tinha o domínio final do fato. Ela residia na mesma casa que o André (o pai da menina), ela tem com ele duas meninas de idade próximas, ela participava e acompanhava tudo o que era feito”, afirmou a promotora.

Segundo Ana Lúcia, a relação da madrasta com a enteada ficou clara quando o pai da menina fez um registro de ocorrência na delegacia, alegando que tinha sido agredido a cadeiradas pela mulher. O motivo foi que os pais dele, avós da Joanna, haviam feito uma festa para a criança e a madastra não teria ficado satisfeita. “Ela foi ouvida duas vezes no inquérito, mas acho que o foco foi mais no André, que sem dúvida é uma figura importante nessa relação criminosa, mas a madrasta teve uma atuação tão grave quanto a dele”, afirmou.

A promotora revelou que há 26 registros de ocorrência contra o pai de Joanna, entre eles dois por agressão à mulher grávida. Além disso, André Rodrigues Marins já foi acusado de desobediência à ordem judicial e enquadrado na Lei Maria da Penha. “Isso demonstra o perfil agressivo dele”, disse.

A denúncia de tortura, segundo a promotora, foi por conta das queimaduras, os hematomas e a constatação de distúrbio psicológico da criança. “Essa criança ficou durante três dias convulsionando em casa sem atendimento médico”, disse ela. O crime de homicídio, explicou Ana Lúcia, foi devido ao fato dos dois se omitirem nos episódios e assumirem o risco da morte da criança. As penas somadas podem chegar a mais de 40 anos.

Audiência do falso médico será nesta terça-feira
André Marins pai da menina joannaAndré Marins, pai da menina joanna, foi preso
nesta segunda (25) (Foto: Reprodução/TV Globo)

A Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) da médica Sarita Fernandes Pereira e do ex-estudante de medicina que atuava como falso médico e que atendeu Joanna será nesta terça-feira (26). A determinação foi do juiz da 3ª Vara Criminal da Capital, Guilherme Schilling Pollo Duarte. A médica está presa e o falso médico segue foragido.

Segundo o Tribunal de Justiça, serão ouvidas as testemunhas do MP, da assistente de acusação e as testemunhas das defesas. O TJ afirmou que dentre outros crimes, a médica é acusada de homicídio doloso, na forma omissiva, e o falso médico, por exercício ilegal da medicina com resultado da morte da menina Joanna.

Entenda o caso
Joanna era alvo da disputa dos pais desde o nascimento e morreu depois de ficar quase um mês em coma. Ela estava internada em um hospital no Rio de Janeiro em coma desde o dia 19 de julho. Antes, ela foi atendida e liberada num hospital na Zona Oeste, por um falso médico, que teve a prisão preventiva decretada no dia 10 de setembro.

O laudo do Instituto Médico Legal apontou meningite como a causa da morte, mas sinais de hematomas e queimaduras em diversos pontos do corpo da menina levaram a polícia a investigar o caso como maus-tratos. Para o MP, no entanto, a menina foi vítima de tortura.

De acordo com a denúncia do MP, na primeira quinzena de julho de 2010, Joanna foi mantida dentro da casa dos acusados com as mãos e pés amarrados e deixada no chão por horas e dias suja de fezes e urina. O texto do MP fala em "tratamento desumano e degradante", o que teria deixado lesões físicas e psíquicas na menina. Ainda segundo o MP, isso teria colaborado para a baixa de imunidade e de seu sistema imunológico.

O relatório final de conclusão do inquérito indiciava André Marins por tortura, mas o MP ampliou a denúncia. Ao ser indiciado, ele se disse surpreso com o resultado do inquérito e alegou que o delegado responsável pelo caso, Luiz Henrique Marques, foi pressionado pela opinião pública para tomar a decisão.

Ainda segundo a denúncia do MP, os acusados assumiram o risco da morte da criança "de forma omissiva", já que a menina somente foi levada ao Hospital Rio Mar já em situação crítica, local onde teve "atendimento médico impróprio". Foi neste hospital que ela foi atendida pelo falso médico, que teva a prisão decretada e está foragido, e pela médica Sarita Fernandes Pereira, já presa. De acordo com parecer técnico, quando Joanna foi levada ao hospital ela tinha apenas 30% de probabilidade de recuperação.

Esses fatos, de acordo com o MP, caracterizam o crime de homicídio.

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